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quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

É de desanimar

Artigo publicado na versão impressa da edição de 22 de outubro de 2012:

Confesso que me bateu um desânimo ao ler, na semana passada, um caderno especial produzido em conjunto por dois grandes jornais brasileiros (O Estado de São Paulo e O Globo), no qual foi abordado um panorama a respeito do que o País precisa para se tornar mais competitivo.

Não pelo fato de, entre 144 países analisados pelo Fórum Econômico Mundial, o Brasil, sexta maior economia do mundo, ocupar um modesto 48º posto no ranking de competitividade, sustentado por índices pouco animadores: uma carga tributária brasileira perto de 36% do Produto Interno Bruto (PIB) - a 4ª maior do mundo -, a exigência de 97 obrigações contábeis para as empresas, o crescimento de apenas 2% no investimento em infraestrutura em 2011 e a constatação de que os estudantes brasileiros estão abaixo da média dos países avaliados em leitura, ciências e matemática.

O desânimo não é em função, apenas, dos índices em si.

É natural que um país com mazelas históricas e uma democracia ainda recente leve tempo para reduzir suas desigualdades.

A questão é exatamente quanto tempo é aceitável e o que está sendo feito mudar isso. Desde os anos 60, a Coreia do Sul colocou, como pauta principal de suas políticas públicas, o investimento em educação e hoje colhe frutos diretos em sua economia.

No Brasil, é difícil entender qual é a prioridade do governante de plantão. Desde sempre se fala em necessidade de reformas (política, trabalhista, previdenciária e tributária), é um discurso que está na pauta de todos os partidos e de todo governante que se elege.

Mas não demora muito para que tudo fique nos pequenos ajustes legislativos, mais fácil de ser aprovado do que as grandes mudanças que se fazem necessárias.

A falta de uma agenda nacional se mostra incapaz, também e infelizmente, de permitir o surgimento de novos protagonistas no cenário nacional.

Há quase 20 anos, PT e PSDB polarizam-se nos grandes embates sem, contudo, conseguirem construir pontes firmes para mexer nas estruturas arcaicas que travam o desenvolvimento do país.

Pelo contrário: de dois em dois anos, com as eleições, o clima de Fla x Flu entre as siglas e seus seguidores ofusca a necessidade de um consenso para uma agenda que acelere o País na rota do desenvolvimento econômico e social.

Quando vejo que, na cidade mais importante do País e que o reflete tão bem, com tantas demandas a ser debatidas, o principal tema do debate eleitoral se tornar o "kit gay", é possível compreender as razões pelas quais o País tem índices de desanimar. Não sabemos o quê priorizar.

Coluna - 17 de outubro de 2012

Coluna do jornalista publicada na versão impressa da edição de 17 de outubro de 2012:

ESPERANÇA
Aliados de Quintal apostam todas as fichas na ação movida por Kléber Leite, que pede a cassação do registro de candidatura do prefeito eleito Paulo Hadich.

PARECER
Animação veio após advogado integrante de um escritório de advocacia especializado em legislação eleitoral olhar o conteúdo da ação e ver motivos para a procedência da ação.

AJUDA
Escritório de advocacia de Alberto Rollo, contratado para reverter a cassação de Quintal no Tribunal Regional Eleitoral (TRE), já recebeu poderes para atuar nesse processo.

NO TRE
Recurso de Quintal para anular sua cassação já está no TRE, aos cuidados do juiz Paulo Hamilton Siqueira Júnior. Ontem, ele abriu vistas para o Ministério Público Eleitoral.

OUTRO LADO
Coordenação de campanha de Hadich vê o processo movido por Kléber Leite com tranquilidade.

HORTO 1
Ainda nesta fase de transição, o Incra pedirá reunião com o prefeito eleito para solicitar a concessão de licenças ao assentamento na região do Horto, ideia que a administração Silvio Félix sempre rechaçou.

HORTO 2
Hadich deve manter, porém, o discurso que adotou na campanha: antes de tudo, aguardar o que a Justiça Federal decidir sobre a posse das terras.

MUDANÇA
Acertada a transferência da futura UBS da região do Jardim Santo André, da Rua Einstein para um terreno em frente ao Condomínio Mário Souza Queiroz. Local fica próximo à linhas de ônibus, com um acesso melhor à população.

Renovações políticas

Artigo publicado na versão impressa da edição de 15 de outubro de 2012:

O processo eleitoral deste ano, encerrado há uma semana com prefeito e vereadores eleitos para o período 2013-2016, cumpriu ao extremo a expectativa de uma renovação nos quadros de lideranças locais que nasceu com a interrupção abrupta da carreira do prefeito cassado Silvio Félix (PDT).

O voto dos limeirenses completou um cenário que foi iniciado pela atuação firme do Ministério Público (MP) local, passando, também, pela ausência de Elza Tank, falecida em julho.

Das ações promovidas pela promotoria, os últimos três mandatários que passaram pelo Edifício Prada antes de Orlando Zovico estão impedidos de participar diretamente de qualquer eleição e, ainda, de ocupar cargos públicos. Por motivos diferentes, mas pelo mesmo MP, César Cortez e Iraciara Bassetto também têm seus futuros políticos incertos.

Pelo voto, entram em sinal de alerta as carreiras políticas de Lusenrique Quintal e Eliseu Daniel dos Santos.

O primeiro, pelo fato de ter sido vencido pela terceira vez na disputa pelo Prada, embora tenha tido sua melhor votação - a forma como lidará com essa derrota e como se portará no governo Hadich ditarão seu rumo, bem como a pendência da cassação na Justiça Eleitoral.

O segundo, que tinha grande expectativa na eleição que passou, vê com preocupação o projeto de se tornar deputado - pelo atual partido, o DEM, precisaria de 100 mil votos, patamar alto para quem angariou 18 mil no voo para prefeito.

Grande no cenário nacional, o PSDB de Limeira se tornou "menor" ainda em Limeira. Com seus principais nomes com possibilidades de ficar fora de disputas eletivas nos próximos oito anos (Pedrinho Kühl e José Luiz Gazotti), a sigla não fez vereadores e terá de fazer um processo firme de autorenovação para não "desaparecer" no governo Hadich.

Com tantos vácuos, surgem novas oportunidades. Na Câmara, Ronei Martins (PT), pelos impressionantes 12 mil votos recebidos, e Miguel Lombardi (PR), eleito para um quarto mandato seguido, se credenciam como líderes neste novo cenário e são nomes para projetos maiores.

Entre os vereadores novatos, Érika Tank (PDT), com mais de 3 mil em seu primeiro voo político, e Nilton Santos (PRB), atrás apenas de Ronei em quantidade de votos, também devem se firmar.

Para terminar, o próprio Paulo Hadich (PSB) é um sinônimo de toda esta renovação política pela qual a cidade passa.

Em quatro anos, foi de vereador de primeiro mandato a prefeito eleito, passando, no intervalo, por uma primeira suplência de deputado estadual. Prova de que o eleitorado limeirense não precisa mais de décadas para arriscar o "novo".

Coluna - 10 de outubro de 2012

Coluna do jornalista publicada na versão impressa da edição de 10 de outubro de 2012:

FIM DE UMA ERA
Resultados da eleição sepultaram de vez resquícios da era Félix, inclusive no Legislativo. Fiéis do prefeito cassado tiveram desempenho pífio.

SUMIDOS
No domingo à noite, Lusenrique Quintal e Kléber Leite sumiram de contato, mesmo procurados para falar. Eliseu foi o único a dar satisfação aos limeirenses e reconhecer o resultado.

VOOS MAIORES
A votação expressiva de Ronei nas urnas habilita-o a disputar não só a presidência da Câmara em 2013, mas uma vaga a deputado em 2014. Ele demonstra interesse nos dois projetos, caso se demonstrem viáveis.

CONCORRENTE
Nilton Santos (PRB) colocou-se à disposição para disputar a presidência da Câmara pelo bloco de oposição à Hadich.

PMDB
Ao menos três secretarias municipais devem ficar com quadros do PMDB. Para a Saúde, o nome forte é o do vereador reeleito Raul Nilsen Filho. Caso se concretize, o empresário e radialista Bruno Bortolan teria sua chance na Câmara.

NULO
Urnas mostraram em Limeira e Iracemápolis efeito nulo do julgamento do mensalão que tanto atemoriza os petistas nesta semana, com a iminência da condenação de José Dirceu.

DE FORA
PSDB não fez representantes no Legislativo, conquistando apenas uma suplência, com Luisinho da Casa Kühl. Ruim para um partido dessa magnitude.

IMPACTO
Com algumas administrações desastrosas, marcadas por cassações, PDT não fez prefeitura na região de Campinas.

PERSISTENTE
Iraciara Bassetto (PV), que recebeu 966 votos, todos invalidados enquanto pendências jurídicas não forem resolvidas, ingressou novo recurso no TSE para reverter enquadramento pela Lei da Ficha Limpa.

Eleito para uma cidade reticente

Artigo publicado na versão impressa da edição de 8 de outubro de 2012:

Em primeiro ou segundo turno, a vitória de qualquer um dos candidatos requeria, acima de tudo, legitimidade das urnas.

Com mais de 70 mil votos, Paulo Hadich (PSB), que começou a corrida eleitoral com 8,6% das intenções de voto em março, alcançou pouco mais do mínimo necessário ontem (50,8%) e faturou a corrida eleitoral numa votação que mostrou uma cidade extremamente dividida e, principalmente, reticente.

A legitimidade da vitória de Hadich vem acompanhada, no entanto, de uma realidade com a qual o prefeito eleito de Limeira terá de lidar.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) computou 16.277 votos nulos. Somando-se os votos em branco e as abstenções, 62 mil eleitores não se sentiram representados por nenhum dos candidatos, um número representativo.

Eleito para governar para todos, Hadich encontrará quase um terço de eleitores que não direcionaram seu voto para ele.

A ascensão nas intenções de voto que teve ao longo do ano mostra, no entanto, que, para o prefeito eleito, conquistar simpatizantes é perfeitamente possível. A fatura no primeiro turno também o habilita a enfrentar este desafio, bem como o auxílio de lideranças que confirmaram, nas urnas, popularidade e legitimidade para deixarem a oposição e, agora, se transformarem em governo.

Fechadas as urnas, Lusenrique Quintal (PSD) terá uma batalha difícil pela frente, que é a reversão da cassação do registro de candidatura. Caso não consiga, ele se despede da história política limeirense nesta década. Se reverter, precisará analisar bastante o que ocorreu nos últimos quarenta dias para entender ao menos duas coisas: uma eleição nunca é ganha antes da hora e, quase sempre, ataques, especialmente feitos nos instantes finais, não se transformam em votos.

Com 18 mil eleitores, Eliseu Daniel dos Santos (DEM) sai com capital político encolhido perante o desempenho que teve nas últimas eleições.

Já Kléber Leite (PTB) termina como começou a corrida, com a perspectiva de voltar em cena daqui dois anos para uma nova candidatura a deputado estadual.

Mesmo com uma cidade dividida, Hadich obteve a maioria dos votos válidos, o que dá legitimidade, também, para que os limeirenses acreditem que, passado o atípico e esquecível (do ponto de vista administrativo) ano de 2012, a cidade possa seguir um rumo e que o prefeito eleito consiga, nos próximos quatro anos, recolocar Limeira numa rota que devolva a estima e seja capaz de reduzir, em 2016, o alto índice de eleitores que preferiram não participar de um momento tão importante para a cidade como é uma eleição.

Coluna - 3 de outubro de 2012

Coluna do jornalista publicada na versão impressa da edição de 3 de outubro de 2012:

ATESTADO
Com a confirmação pelo STF de que houve compra de votos e da existência de corruptos, faltam agora os corruptores. Pesadelo do PT se materializa com o avanço do julgamento do mensalão. E a tese de Lula, de que este não passou de invenção, foi derrubada, com o atestado da Justiça.

EXPECTATIVA
Espera-se, também, do STF uma análise tão bem aprofundada como está sendo feito agora quando for à pauta o mensalão mineiro, quando o PSDB estará na vitrine hoje ocupada pelo PT.

ALARGAMENTO
Em ofício ao vereador Ronei Martins, o secretário de Transportes, Rodrigo Oliveira, confirmou a existência de um projeto de alargamento na Rua Dr.Alberto Ferreira, que passa em frente ao Edifício Prada. Mas não deu mais pistas. "Com todos os levantamentos, será encaminhado aos órgãos competentes".

COMPENSAÇÃO
No projeto, a Secretaria de Meio Ambiente constatou: com a necessidade de remoção de árvores, uma compensação, de 585 mudas de espécies nativas variadas, terá de ser feita, todas direcionadas ao viveiro do Horto.

FORA DO PRAZO
Duas representações feitas por Paulo Hadich (PSB) de direito de resposta contra Lusenrique Quintal (PSD) no programa eleitoral foram arquivadas pela Justiça, pelo fato de terem sido protocoladas fora do prazo estipulado pela legislação.

RENOVAÇÃO
Com a ampliação de vagas e a não participação de grandes puxadores de votos, a apuração na noite de domingo terminará com grande renovação na Câmara. Mais que isso, é extremamente salutar o surgimento de novas lideranças políticas para os próximos anos.

Semana decisiva

Artigo publicado na versão impressa da edição de 1º de outubro de 2012:

O processo eleitoral em Limeira chega à ultima e decisiva semana com uma pergunta comum a muitos limeirenses com quem tenho conversado recentemente.

A grande expectativa é se a disputa será levada, pela primeira vez, ao segundo turno, e, se sim, quem serão os dois candidatos.

Para dar contornos mais dramáticos, o episódio da cassação do registro de candidatura de Lusenrique Quintal (PSD), que até meados de setembro aparecia em empate técnico com Paulo Hadich (PSB) na liderança - este último numericamente à frente -, traz um impacto difícil de ser visualizado pelas campanhas.

Quando Eliseu Daniel (DEM) ingressou a ação de investigação judicial que resultou na cassação de Quintal, o rival liderava as pesquisas e, até então, tinha um perfil de eleitorado semelhante ao seu.

Mas quando a decisão da Justiça Eleitoral saiu, o quadro havia mudado: quem ganhou espaço no eleitorado de Eliseu foi Hadich, que ascendeu ao pelotão da frente, enquanto Quintal manteve seu capital político.

Ou seja: se a tentativa de Eliseu de captar votos do eleitorado do candidato do PSD com o impacto da cassação se concretizar, em tese significaria uma recuperação de um capital político perdido no último mês.

Ainda é imprevisível dimensionar o impacto da sentença contra Quintal. Ao menos um efeito imediato provocou.

A reação do candidato, com um discurso mais incisivo contra os adversários diretos, especialmente Hadich, esquentou os ânimos e provocou, na semana passada, uma série de representações na Justiça, que até o momento mostrou-se favorável aos direitos de resposta solicitados.

A tática, porém, é de efeito duvidoso.

Primeiro: permitiu aos rivais o discurso de que foi Quintal quem deu início a ataques em detrimento de propostas.

Segundo: o eleitorado se mostra reticente quanto a isso. Na última pesquisa feita pela Limite Consultoria a pedido da Gazeta, aqueles que consideram que a campanha deste ano está melhor que as anteriores explicaram sua opinião com base na observação de boas propostas, melhores opções de candidatos e menos ataques entre eles. Entre aqueles que consideram pior, não há menções também sobre acusações.

A última semana, por fim, traz grandes expectativas. Hadich, embalado pelas intenções de voto, parece nome certo para ser o primeiro ou segundo mais votado.

Quintal pode usar o efeito suspensivo obtido na Justiça para entrar na reta final com mais força - parcela expressiva de seu grupo acredita que a cassação será revertida adiante na Justiça.

Eliseu acelera para recuperar espaço e chegar a disputa de 28 de outubro.

Kléber seguirá sua campanha modesta, lembrando viradas históricas já ocorridas nas urnas. Fica a torcida para que os limeirenses possam ir às urnas com tranquilidade e consciência para decidir o rumo dos próximos quatro anos.