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segunda-feira, 18 de junho de 2012

Começa pelo banheiro

Artigo publicado na versão impressa da edição de 18 de junho de 2012:

Há quem diga que, se conhecendo o banheiro de um recinto, tem-se uma noção de quem o mantém.

Tendo como verdadeira essa máxima, talvez consigamos identificar, no banheiro público da querida Praça Toledo Barros, motivos que ajudem a explicar a tamanha insatisfação revelada ontem pela pesquisa Gazeta/Limite, em que 73% dos entrevistados apontam que não viram melhorias nos últimos 3 anos em Limeira ou sequer se animaram a escolher as variadas opções oferecidas pelos entrevistadores.

Em 18 de outubro de 2009, há quase três anos, estampávamos na manchete deste jornal, com base num apelo dramático do zelador do local, que o banheiro da praça se transformara em motel público, frequentado por gente de todas as idades, sexos e classes sociais.

Dois dias depois, registrávamos que a Secretaria Municipal de Segurança Pública estudaria medidas para melhorar o monitoramento. Em 2011, foi concluída a revitalização da praça e, conforme mostrado em 13 de novembro daquele ano, a alternativa para coibir a prostituição no banheiro foi trancá-lo após às 18h. Mas, sem monitoramento, o problema foi transferido para o lado de fora, na praça.

Na última semana, registramos, novamente, queixas de usuários homens e mulheres sobre os banheiros. O vandalismo prossegue, assim como o mau cheiro. Houve até assaltos, conforme relatos.

Como resposta, a Prefeitura focou nos trabalhos imediatos de manutenção, óbvios, mas não tocou na questão do monitoramento.

Na sexta-feira, um homem foi encontrado morto lá dentro, aparentemente por causas naturais - poderia ter ocorrido em qualquer lugar -, mas serviu para selar o estado do local. A verdade é que, há pelo menos três anos, aquilo é tudo, menos um espaço convidativo e confortável à população.

O estado de desilusão dos limeirenses ocorre muito mais por ver a mesmice de alguns pontos do que pelos indicadores em si.

Evidente que, em algumas áreas, houve melhorias, mas estas ou não satisfizeram a população ou se mostraram insignificantes perto de outras demandas. E algumas situações aparentementes simples, mas não resolvidas, como tornar um mero banheiro público usável, tiram os limeirenses do sério.

No próximo domingo, ocorrerão, com muitos discursos, as convenções partidárias que lançarão os candidatos que pretendem administrar a cidade pelos próximos quatro anos.

Será que, em algum ponto dos planos de governo, há espaço, uma menção que seja, para os banheiros públicos? Há problemas muito mais graves em Limeira, mas, se quem vê banheiro enxerga o restante da casa, é perfeitamente compreensível a desilusão do limeirense.

Coluna - 13 de junho de 2012

Coluna do jornalista publicada na versão impressa da edição de 13 de junho de 2012:

EM SILÊNCIO
Zovico nada sinalizou diante da recusa dos vereadores em participar da audiência que chamou anteontem para falar sobre a merenda. Assim, a CPI aguarda sua manifestação quanto a uma possível ida à Câmara para uma reunião formal.

VIA FACEBOOK
Piuí informou ontem ter recebido uma notificação do PDT estadual para que se defenda em processo de desfiliação aberto em relação à cassação de Félix. Aos eleitores, ele diz que continuará a todo vapor com seu mandato. Há pouco tempo para um processo judicial de perda de cadeira.

LIMEIRA NOS PROTESTOS
Reivindicações de trabalhadores da Unicamp, que resultaram no adiamento, na semana passada, da votação da proposta de compra de uma área de R$ 150 milhões em Barão Geraldo para expansão da universidade, incluíam a falta de moradias estudantis em Limeira.

EXCESSO DE CONFLITO
A cada dia, a situação da diretora da Secretaria de Educação, Suely Komatsu, fica inusitada. Ela deporá na Polícia Civil como integrante de uma investigada (Le Barom), mas, agora, ela trabalha como integrante da vítima (Prefeitura).

SAÚDE
Deputado André do Prado (PR) apresentou na Assembleia Legislativa indicação ao governador Geraldo Alckmin (PSDB), pedindo a doação de uma UTI Móvel para Iracemápolis

PEDINDO DE VOLTA
Município de Limeira ingressou na Justiça cerca de 30 ações de indenizações ao erário público. Referem-se a acidentes de trânsito que envolvem veículos da Prefeitura, tanto por culpa de servidores quanto de particulares. Neste último caso, a ação só é movida caso não haja um acordo para ressarcir as despesas com o conserto dos danos.

Silêncio estatal

Artigo publicado na versão impressa da edição de 11 de junho de 2012:

É curioso voltar um pouco no tempo para, hoje, analisar um contexto. Há três anos, em junho de 2009, a Gazeta revelava que o governador José Serra (PSDB) destinara a Limeira um dos seis Centros de Progressão Penitenciária (CPP) previstos para todo o Estado.

Naquele mês, um movimento, que o então prefeito Silvio Félix integrava, reclamava ao Ministério Público sobre a forma impositiva do Estado em desapropriar áreas em 49 cidades sem qualquer consulta prévia. Ao menos por aqui, de lá para cá, houve audiências públicas, queixas à Promotoria, idas à Justiça, mudança de área, o que rendeu apenas uma troca de pessoas insatisfeitas. Avanços foram poucos.

A falta de tato das autoridades para o assunto voltou à tona com a medida corajosa de uma juíza de Piracicaba, que proibiu a entrada de presos no Centro de Detenção Provisória (CDP) local devido à precariedade já existente em decorrência da desumana superlotação.

Não me surpreendi com a reação do Estado. Passaram-se dias de um completo, injustificável e absurdo silêncio em indicar para onde os presos de Limeira e região deveriam ser levados.

Enquanto delegados e juízes quebravam a cabeça, o governo estadual ficou inerte e, quando agiu, foi para cassar a liminar e permitir que presos continuem a ser encaminhados para o CDP piracicabano, aumentando mais a aglomeração prisional.

Três anos depois dos primeiros estranhamentos com os municípios, o que avançou? O Estado ainda não demoveu a ideia de criar um CPP em Limeira, assim como já acelerou a construção de uma nova penitenciária em Piracicaba.

Faz três anos que juízes e policiais de nossa cidade lutam, solitariamente, sem qualquer ajuda política, para que o futuro presídio limeirense seja exatamente um CDP, para, entre outros motivos, desafogar a unidade de Piracicaba e evitar o que aconteceu nos últimos dias. Qual foi a resposta do Estado para esta reivindicação? Silêncio.

Irritado com a rejeição sistemática feita pelo governo Félix, que provocou, ao indicar a área na beira da rodovia que liga Iracemápolis e Santa Bárbara D'Oeste, uma mobilização regional (também injustificada) de prefeituras vizinhas, o Estado, quando cobrado pela Gazeta recentemente sobre o novo presídio, demorou dias para responder e, quando o fez, informou que não se manifestará sobre o caso de Limeira.

Enquanto o Estado mantiver o silêncio e estiver distante das autoridades regionais, será difícil o avanço dos debates e das políticas penitenciárias.

Coluna - 6 de junho de 2012

Coluna do jornalista publicada na versão impressa da edição de 6 de junho de 2012:

PARA A PRAIA
Comissão disciplinar na Prefeitura avaliará um caso curioso. Uma professora da Escola Municipal de Ensino Supletivo realizaria visita ao aquário de Santos, com seus alunos e familiares, conforme pedido de autorização. O problema é que a visita não foi feita. O grupo foi para a praia.

ALIANÇAS 1
Eliseu Daniel dos Santos (DEM), que já tem consigo o PSC e o PT do B, está perto de atrair o PMN, sigla liderada em Limeira pela professora Simone Portela. Oficialização deve ocorrer nas convenções.

ALIANÇAS 2
Já o bloco partidário PV-PPS-PTN, capitaneado pelos empresários Gustavo Pezzi e Ítalo Ponzo Júnior, pode ganhar o PC do B. Presidente do partido em Limeira, Luiz Manoel da Silva, o Luiz da Unicamp, disse, porém, que qualquer decisão será tomada pelo diretório municipal em conjunto com o estadual.

PAUTA QUENTE
Tema da reforma agrária no Horto, questão delicada que permeou todo o governo Félix e deverá ser concluída pelo próximo prefeito, começa sutilmente a ser introduzido na pauta dos prefeituráveis.

PARALISADO
Falando em Horto, o processo no Superior Tribunal de Justiça (STJ) está prestes a completar um ano de paralisação no gabinete do ministro Herman Benjamin. Último andamento foi em 20 de junho de 2011.

MENOS 1
Advogados da família Félix desistiram do mandado de segurança no Tribunal de Justiça para terem acesso amplo à investigação do MP. O caso já chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF), instância máxima do Judiciário, que decidirá sobre o pedido.

NO TURBILHÃO
Ao insistirem em manter a ex-funcionária da SP Alimentação e Le Barom, Suely Komatsu, na Prefeitura, Zovico e a secretária da Educação, Araciana Dalfré, a lançaram diretamente para o turbilhão da 2ª CPI da Merenda. Até então, o foco era a gestão anterior. Com Suely, entra na administração atual.

A esfinge

Artigo publicado na versão impressa da edição de 4 de junho de 2012:

Em março, em texto publicado na revista Piauí, o ensaísta Nuno Ramos fez uma análise sobre o estágio do futebol brasileiro e, ao abordar o que se passou entre os fracassos da Copa de 2006 e de 2010, sintetizou, de forma sutil, o questionamento central: "Deixamos a esfinge, Ronaldinho, sem decifrá-la. Como pôde essa rara brecha na monotonia do cosmos fechar-se tão rapidamente?". Referia a Ronaldinho Gaúcho, atleta que mais acumula "ex" às descrições antes mesmo de se tornar, efetivamente, um ex.

Ronaldinho tem só 32 anos. Há não muito tempo, em 2004 e 2005, foi eleito o melhor futebolista do mundo, quando já carregava no currículo uma Copa do Mundo.

Em 2006, era o líder do famoso "Quarteto Fantástico" na seleção brasileira que figurava como favorita naquela competição. Como de praxe, Ronaldinho foi engolfado pela mania dos brasileiros de criar rapidamente ídolos do momento.

Virou personagem de gibi, nas mãos de nada menos que Maurício de Sousa, que tem todas as credenciais para conhecer o universo infantil. Um ídolo para as crianças. Mas ele fracassou naquela Copa, tornou-se símbolo da bagunça em que se transformou a passagem do time brasileiro pela Alemanha. A balada incorporou-se em sua vida mais que a própria bola.

Ao voltar para o país, Ronaldinho permitiu-se virar objeto de leilão. Palmeiras, Grêmio e Flamengo negociaram, e o time gaúcho chegou até a preparar a festa para recebê-lo. Mas ele optou pelo dinheiro, foi para o Flamengo, que lhe oferecia mais. Frustrou a torcida gremista.

No Rio, em pouco mais de um ano, fingiu que jogava, e o clube carioca fingia que lhe pagava. Ronaldinho ganhou um título que o clube não precisava (Campeonato Carioca), perdeu todos os demais. Na semana passada, rompeu com o clube e, agora, cobra R$ 40 milhões na Justiça do Trabalho. Por qual trabalho? Virou galhofa.

Ronaldinho está sem clube, virou sinônimo de problema, há tempos não joga o que se paga para isso. Como de praxe, foi rapidamente substituído por outro ídolo no coletivo.

Sua vida financeira está resolvida. Mas qual será o legado que deixará para os milhões de brasileiros que o tinham como ídolo, especialmente às crianças, incluindo às que liam os gibis que protagonizava?

Restará, como Nuno descreveu, uma esfinge a ser desvendada, enquanto solidifica a precipitada tradição brasileira de conceber ídolos sem dar o devido tempo para que o próprio tempo se encarregue de fazê-los merecer esse status.

Coluna - 30 de maio de 2012

Coluna do jornalista publicada na versão impressa da edição de 30 de maio de 2012:

LIQUIDAÇÃO SEM FIM
Iniciada em 2005, a liquidação da Emdel parece não ter fim. Mesmo com os esforços jurídicos para reduzir valores e prazos, o órgão ainda tem 200 ações trabalhistas e 34 ações civis e fiscais na Justiça. Coisa para o próximo prefeito liquidar.

EXPANSÃO
Unicamp tenta retomar com o Estado a luta para que este aumente os recursos que vêm do ICMS para a expansão do ensino superior público. Na esfera política, o deputado estadual Alex Manente (PPS) apresentou emenda ao orçamento neste sentido, para o funcionamento pleno da FCA de Limeira, com a oferta de mil novas vagas.

FIM DE LINHA
Piuí se livrou das tentativas do PR em tirar-lhe a vaga na Câmara Municipal. Ministro Marcelo Ribeiro, do TSE, negou seguimento aos recursos do ex-partido do vereador e do Ministério Público Eleitoral, que tentavam reabrir a discussão de infidelidade partidária.

PRECEDENTE
Secretária Araciana Dalfré teve, no mínimo, um descuido em nomear alguém para atuar numa área, mas lotada em outra. Em 2011, dois secretários foram condenados pela Justiça por nomearem, na Cultura e no RH, funcionários que faziam vídeos para a Secretaria de Desenvolvimento. Desvio de finalidade é evidente.

NÃO BASTA
Novo Código Penal promete polêmica. Entre as novidades, a possibilidade da criminalização do bullying (1 a 4 anos de prisão). Caso o infrator seja menor, vira ato infracional, com medida socioeducativa. Mas o combate ao bullying não funciona apenas com punição. Tem de envolver educação.

ALIANÇAS
Dos que ainda não decidiram seu rumo, PP virou o principal partido cobiçado pelos prefeituráveis que costuram as alianças para o Edifício Prada.

O que constrange?

Artigo publicado na versão impressa da edição de 28 de maio de 2012:

No último dia 10, travou-se na Câmara dos Deputados um interessante debate.

A pauta era um projeto de lei que obriga as escolas a divulgar, em uma placa na porta dos estabelecimentos, o seu Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), principal indicador que mede a qualidade do ensino.

Opositores à ideia têm um pensamento em comum. Para eles, estampar o número do Ideb na porta da escola é estigmatizar os alunos, carimbá-los com o rótulo de que estudam na pior escola. "A placa vai lembrar a criança todos os dias que ela está em uma escola ruim", argumentou uma representante da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação.

A deputada Dorinha Seabra Rezende defendeu que o Ideb tem de ser um instrumento de mudança, e não de constrangimento. A União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime) levantou outra tese desfavorável à ideia: professores não vão querer trabalhar em unidades com índices ruins.

Um dos principais defensores do projeto, o especialista em educação Gustavo Ioschpe, disse nesta audiência a frase que me dá a oportunidade de escrever este texto: "O que constrange é a má qualidade do ensino, e não a sua divulgação".

Não consigo ver, assim como Ioschpe, como uma eventual realidade - uma nota ruim do Ideb - possa ser melhorada sem que todos os envolvidos, especialmente a comunidade e os pais, tão fundamentais numa unidade escolar, saibam exatamente em que pé se está.

Faço aqui um paralelo à tese da divulgação com o que ocorre na merenda escolar em Limeira. A Secretaria Municipal de Educação pode - e deve ser - cobrada pela má qualidade do alimento que a empresa contratada no governo Félix serve às crianças da rede municipal. Mas não podemos deixar de registrar que houve uma mudança de postura após a secretária Araciana Dalfré assumir o cargo ocupado por Antônio Montesano Neto, com o aval de Orlando Zovico.

A Prefeitura poderia (não seria certo) evitar a divulgação da inconcebível e absurda tonelada de alimentos estragados achados nas escolas. Mas, até o momento, nenhuma informação tem sido dificultada e a realidade chega aos limeirenses.

Surge a pergunta inevitável: isto só ocorria agora? O que ia antes para as escolas? Pensamos um monte de coisas e não há resposta porque antes, simplesmente, não havia transparência por parte da Prefeitura.

Assim como no caso do Ideb, o que constrange é a má qualidade, e só com a divulgação da realidade se sabe o ponto de partida para achar as soluções. Ainda que tardiamente e só mesmo após tudo o que ocorreu, a Prefeitura parece adotar um caminho correto para a solução: inicia pela transparência.

É um bom começo.

Coluna - 23 de maio de 2012

Coluna do jornalista publicada na versão impressa da edição de 23 de maio de 2012:

NO LIMITE
Com a ação de tomada dos serviços da Le Barom, governo Zovico sinaliza que as falhas na terceirização dos serviços chegou ao limite. Tudo, porém, deve ser feito com os cuidados jurídicos que o caso requer.

DEMORA
A nova lei de acesso à informação pública foi aprovada em 2011, para só valer em 2012. Mesmo assim, só agora o Município avaliará uma legislação própria para se adequar. Uma demora que poderia ter sido evitada, pois havia tempo suficiente.

PARA O ARQUIVO
O desembargador Osvaldo Magalhães declarou, anteontem, prejudicado o quarto e último recurso de Silvio Félix sobre a CP. Restam, agora, somente os recursos relacionados à decisão final da comissão, que foi a cassação.

MESMA ÉPOCA
Fase de depoimentos às CPIs do Messias e da Merenda deve coincidir com o início do período das convenções partidárias.

EM SILÊNCIO
Depoimento ontem de Carlinhos Cachoeira à CPI no Congresso lembrou muito o do proprietário da SP Alimentação à 1ª CPI da Merenda. Ambos ficaram em silêncio para não produzir provas contra si mesmos.

UTILIDADE PÚBLICA
Projeto de lei do deputado estadual Baleia Rossi (PMDB) quer declarar o Instituto de Desenvolvimento de Limeira (Ideli) uma entidade de utilidade pública. O Ideli é uma instituição privada, sem fins lucrativos, que ajuda a promover o desenvolvimento do Município.

MERECIDO
Dra. Solange Dantas receberá homenagem pela sua atuação em Limeira. Projeto na Câmara, de autoria do vereador Mário Botion (PMDB) concede à psicóloga o Diploma de Gratidão da Cidade de Limeira e a Medalha de Mérito Cívico XV de Setembro "Ordem Tatuiby".