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quarta-feira, 27 de julho de 2011

Coluna - 27 de julho de 2011

Coluna do jornalista publicada na versão impressa da edição de 27 de julho de 2011:

NÃO SE FALA MAIS NISSO
O juiz Adilson Araki Ribeiro homologou o pedido de desistência do Estado e extinguiu neste mês a ação movida para desapropriar terras no Bairro do Jaguari, visando à construção do presídio.

QUE PRESSA É ESSA?
Curioso: em fevereiro, o Estado pediu para agilizar o processo porque a demora atrasaria a expansão do plano penitenciário. Três meses depois, bastaram uma folha e poucas palavras para que sumisse a preocupação.

CONSEQUÊNCIA
Com a homologação da desistência pela Justiça, o Ministério Público (MP) também arquivará o inquérito aberto para investigar o presídio naquela região.

PALAVRA É PALAVRA
Diante de duas testemunhas, Félix deu sua palavra ao MP de que não chamaria Marcos Camargo de volta, caso a pena de seu ex-secretário fosse cumprida. Terá coragem de fazer o contrário?

NA BUSCA
Prefeitura tenta negociar com investidores particulares a instalação de estacionamento vertical no Centro. Ideia é de 2008, mas nunca vingou. Félix não fará o projeto só com recursos públicos. Quer uma parceria público-privada.

TURISMO
É boa a intenção da Prefeitura de transferir um projeto turístico para a antiga fábrica da cachaça Limeirinha, na estrada que liga Limeira a Iracemápolis. Local pode ficar atrativo. Dúvida, só se vale a pena investir num moinho.

VIOLÊNCIA SEXUAL
De acordo com a SSP, em cada semana do primeiro semestre de 2001, ocorreu, em média, um estupro em Limeira.

PADRE MARCELO
Via Twitter, o empresário Bruno Bortolan informou ontem que padre Marcelo Rossi confirmou, em seu programa “Nosso Momento de Fé”, na Rádio Educadora AM, que estará em Limeira no próximo dia 10 de agosto, uma quarta-feira.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Trabalho para gerações

Texto do jornalista publicado na versão impressa da edição de 25 de julho de 2011:

Quando pautei, nesta Gazeta, há algumas semanas, os dados sobre as autodeclarações dos limeirenses a respeito de etnia, compilados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no Censo 2010, sabia que o tema era delicado.

O órgão oficial trabalha com cinco classificações: preto, pardo, amarelo, branco e indígena. Muitos estranharam, à primeira leitura, o emprego do termo preto, mas, longe de dizer se o mesmo é o correto ou não, a reportagem foi fiel ao que o IBGE utiliza, deixando, também, claro como a redação trabalha no dia a dia, seguindo o que pesquisadores consideram - negros como a soma dos que se declaram pretos e pardos.

Houve quem reclamou, mas houve quem entendeu após jornalistas explicarem as motivações.

Os dados de Limeira seguiram a tendência verificada em todo o País: aumentou o número de pessoas autodeclaradas pretas e pardas, porque há um sentimento crescente de autoestima e as pessoas estão assumindo mais sua identidade étnico-racial.

Motivos para comemorar? Em parte, porque há um longo caminho a ser percorrido.

Na sexta-feira, o IBGE divulgou novos estudos (em caráter amostral, com entrevistas feitas em 2008) sobre cor ou raça e um fato que me despertou atenção é como as classificações utilizadas pelo próprio instituto são frias e não condizem com o sentimento das pessoas.

Um exemplo: 21% dos entrevistados se declararam morenos e outros 7,8%, negros. Houve quem se classificou como mulato, mestiço ou claro. Todas essas classificações não são adotadas pelo IBGE, porém, refletem o que pensam parte expressiva dos brasileiros sobre si mesmos.

Por que há tanta discussão sobre esses termos?

A mesma pesquisa traz outros dados para refletirmos.

63% disseram que a cor ou raça influencia a vida das pessoas.

Indo a fundo nesta questão, 71% acreditam que isso afeta no aspecto “trabalho”; outros 68,3% citam que interferem na “relação com justiça/polícia”; para 78%, influem no “convívio social”.

Na Paraíba, 48% das pessoas apontam que a questão influencia no casamento.

Apesar do avanço no critério de autenticidade de identidade, o tema pesa, de diferentes maneiras, no dia a dia das pessoas e, em algumas regiões, permanece como um tabu.

Embora suscite polêmica, a questão étnico-racial no Brasil precisa ser debatida, acima de tudo, num ambiente de compreensão e respeito.

Num país de tantas diversidades culturais, constata-se quão sensível o tema é para os brasileiros em suas relações sociais e como, entre o que as pessoas pensam e o que elas dizem ao IBGE, há uma gama de fatores a serem descobertos, considerados e analisados. Trabalho para gerações.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Coluna - 20 de julho de 2011

Coluna do jornalista publicada na versão impressa da edição de 20 de julho de 2011:

VESPEIRO
Félix criou o perdão de juros e multa aos inadimplentes para atender ao Tribunal de Contas, mas entrou num vespeiro com quem paga em dia. Será difícil recuar.

OBSCURO
População quer saber o estado de saúde de Elza Tank, mas a assessoria da Câmara é evasiva. Falta de informações não condiz com a importância que Elza tem na cidade.

RECLAMAÇÃO TARDIA
Muitos questionam ações da Prefeitura que estão sendo feitas agora e se esquecem de que já houve oportunidade de debates na elaboração do Plano Diretor, entre 2007 e 2008.

CONFUSÃO À VISTA 1
Se alguns políticos insistirem em se candidatar em 2012, correm o risco de ter a candidatura impugnada e ir às urnas sub judice pela Lei Ficha Limpa. Vai ser um tal de ir à Justiça para recontagem de votos...

CONFUSÃO À VISTA 2
Procuradoria do Trabalho encaminhou ofício dia 13 ao Ministério Público informando que o Município não comprovou o cumprimento do acordo que previa o fim das frentes de trabalho, especialmente no Ceprosom.

OBRA SOB TRILHOS
ANTT autorizou a Foz do Brasil a implantar travessia subterrânea de esgoto sob o km 102+921 da malha ferroviária de Limeira. Até 2028, empresa pagará R$ 500 por ano, a título de permissão, para usar o espaço.

PARA COMEMORAR
Professores e profissionais da educação estão de parabéns pelos bons índices obtidos por Limeira. Nossas taxas de abandono e reprovação escolares estão abaixo das médias estadual e nacional.

QUALIFICAÇÃO
Vinda da Samsung deverá exigir esforços de nossas autoridades para qualificação de trabalhadores, problema eternamente apontado pelos empresários locais. A presença de um “gigante” pode acelerar o atendimento a essa necessidade.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Perder para ganhar

Texto do jornalista publicado na versão impressa da edição de 18 de julho de 2011:

Pode parecer surpreendente a muitos, mas Limeira poderá ter, até o final de 2012, três shoppings centers em funcionamento.

Até esta data, a FCA/Unicamp já estará com quase 2 mil alunos somente nos cursos de gradução.

É grande a possibilidade de uma multinacional instalar uma unidade na cidade, com potencial para criar 5 mil empregos.

Há, também, a evolução natural da economia limeirense - o Produto Interno Bruto (PIB) da cidade, soma de todas riquezas produzidas, cresce sistematicamente desde 2004 e Limeira pode ser beneficiada em muito com a proximidade da futura Hyundai, em Piracicaba.

Este cenário pode, para alguns, ser apenas exercício otimista e propagandístico, mas deveria, desde já, ser alvo de estudo das lideranças que pretendem protagonizar o mundo político de Limeira nesta nova década.

Se as estimativas acima se confirmarem, todas positivas para o desenvolvimento que desejamos para a cidade, significam, também, que em curto espaço de tempo problemas que hoje nos atormentam evoluirão na mesma proporção como preço a ser pago pelo crescimento: frota excessiva nas ruas, necessidade de mais vagas em creches, moradias, infraestrutura viária, saneamento básico, entre outros.

Para que problemas sejam amenizados e o terreno possa ser preparado, os limeirenses precisam colaborar, seja na cobrança cidadã e fiscalizadora, seja no momento em que é necessário perder um pouco para que todos ganhem.

O caso da Rua Tiradentes, que teve final feliz após Poder Público e população se entenderem, deveria ser o emblema do que deveria ocorrer nos próximos anos.

Havia uma necessidade (corredor de ônibus) e chegou-se a uma solução que não era ideal para Prefeitura nem para moradores, mas a viável para suprir a necessidade.

Houve, sim, quem perdeu um pouco. Mas haverá, no futuro, muitos que ganharão.

Limeira tem uma década promissora pela frente.

O IBGE deu a senha na sexta-feira: o Censo 2010 comprovou que cidades com menos de 500 mil habitantes são as que mais crescem, por influência da migração.

Para receber bem os prazeres e encarar as agruras do desenvolvimento, o limeirense não pode só pensar em si.

Deve cobrar, sim, eficiência de seus governantes, mas também ser compreensível e ajudar nas soluções.

Muito melhor é "brigar" para ajustar a cidade perante às novidades do que vê-las indo para outros municípios, enquanto ficamos acomodados em nosso mundinho sempre a reclamar.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Coluna - 13 de julho de 2011

Coluna do jornalista publicada na versão impressa da edição de 13 de julho de 2011:

RUA TIRADENTES
Prevaleceu o bom senso. Parabéns aos moradores, que foram à luta pelos seus direitos. Parabéns à Prefeitura, que teve a humildade de saber recuar.

JÁ PERGUNTAM
Onde será o próximo corredor de ônibus?

ROTA ALTERADA
Desistência da torre milionária e da calçada pela metade na Tiradentes comprovam: população, quando participativa, muda rumos da administração que elegeu.

CENÁRIO
Há pelo menos uns 11 pré-candidatos a prefeito. Isso agora. Lá na frente o número cai bastante.

ENTRE OS DOIS
Com Constância impossibilitada e Elza fora de combate, não há muitas opções ao prefeito Silvio Félix no apoio à sua sucessão. É Eliseu Daniel. Não sendo ele, José Carlos Pejon - se estiver elegível.

CARA NOVA
IBGE começa a mostrar as muitas faces de Limeira. Será que algum pré-candidato já trabalha em cima das novas realidades que surgiram na última década?

ACESSO
Portal da Transparência registrava, até a tarde de ontem, 2,8 mil visualizações no site da Prefeitura (www.limeira.sp.gov.br). É pouco.

SAC DA POLÍCIA
Polícia Civil inaugurou na capital o Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC), para o povo reclamar, se assim o desejar. Ter um retorno da população, positiva ou negativamente, é importante para melhorar o atendimento.

LAPIDAÇÃO
Escola de líderes finalmente saiu do papel, três anos após ser anunciada. Ideia de Félix estimula talentos de Limeira a empreender e inovar. Tem tudo para dar certo.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Ele é o dono; nós, os bobos

Texto do jornalista publicado na versão impressa da edição de 11 de julho de 2011:

Se você não leu, sugiro que vá rapidamente buscar a edição deste mês da revista Piauí numa banca mais próxima. Ricardo Teixeira, presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), dá uma entrevista que beira à ficção. Seria melhor se fosse. Não é.

Numa referência à imprensa, o comandante maior do nosso futebol diz: “Em 2014, posso fazer a maldade que for. A maldade mais elástica, mais impensável, mais maquiavélica. Não dar credencial, proibir acesso, mudar horário de jogo. E sabe o que vai acontecer? Nada. Sabe por quê? Por que eu saio em 2015. E aí, acabou”.

Teixeira chama a imprensa brasileira de “vagabunda”, diz, com palavrões, que os negócios da CBF não merecem virar notícia (“Que p... as pessoas têm a ver com as contas da CBF?). Só se preocupa se alguma denúncia passar no Jornal Nacional. Quer fazer uma Copa impecável para virar presidente da Fifa.

Teixeira mostra por que é o dono do futebol.

Aquele amistoso que você, leitor, se prepara para ver com a família ou amigos, veste a camisa amarela e fica por duas horas na frente da TV, ou paga um valor exorbitante de ingresso para ir ao estádio e ver, muitas vezes, um jogo medíocre, é fruto de puro negócio. Porque é Teixeira que combina o valor do jogo da seleção, decide quem vai transmiti-lo e quem vai patrociná-lo.

Num país sério, onde as pessoas têm vergonha na cara, Teixeira não daria uma entrevista dessas porque haveria uma reação. No Brasil, não dá em nada. Ele mesmo admite isso.

Aqui permite-se que um evento do porte da Copa do Mundo seja comandado por ele, e não pelo governo.

Aqui, falam que não haverá dinheiro público na construção de estádios privados, mas surgem as manobras com o BNDES e as isenções fiscais monumentais.

Desprezam um estádio como o Morumbi por rixa pessoal.

A Copa de Teixeira ficará mais cara do que custou os últimos três Mundiais juntos e, se mantiver o ritmo de reajustes e incluir orçamentos de obras de infraestrutura, sairá mais cara do que todas as outras Copas juntas. Mas o brasileiro está se lixando.

Enquanto Teixeira é o dono, muitos clubes brasileiros vivem na penúria, disputando torneios financeiramente inviáveis.

E nós, torcedores, movidos pela paixão despertada pelo futebol, fazemos papel de bobo.

Pior: prestigiando o futebol brasileiro, acabamos por alimentar os pilares que permitem Teixeira fazer o quer e dizer as besteiras que quer.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Coluna - 6 de julho de 2011

Coluna do jornalista publicada na versão impressa da edição de 6 de julho de 2011:

INVERSÃO
Tempos estranhos estes, em que governador que anda de jatinho de empreiteiro que tem interesse em negócios do governo cria, após o caso vir à tona, código de conduta (?) para administrador público.

INACABADA
Repaginação da Praça Toledo Barros ficou incompleta e dificulta acesso dos cadeirantes.

IRREPARÁVEL
Qual seria o valor ideal a ser pago de indenização ao chefão do FMI?

OUTRA COISA
Justiça entendeu que pedido de pilotos para reativar aeródromo foi mal formulado. Sugeriu que fosse mudado para indenização por perdas e danos.

PARCERIA
Prefeitura fará convênios com a Unicamp. Prefeito Silvio Félix quer apoio da universidade em pesquisas que ajudem a cidade e incentivar os alunos a estagiar no Edifício Prada.

FRASE 1
“Aparentemente o Brasil viu o que se chamou de transformação de todos os cidadãos em técnicos de futebol ocorrer também no direito público, com todos se autotransformando em ‘interpretadores’ do que julgam ser ordenamento jurídico”, diz Félix.

FRASE 2
“Ninguém pode negar que Tiririca assumiu um papel importante contra a evasão escolar brasileira”, diz Vladimir Porfírio, secretário nacional de comunicação social do PR, partido do deputado.

PEPINO
Rua Tiradentes ainda vai tirar sono de muita gente, dos moradores à Prefeitura.

FOLGA
Câmara Municipal de Limeira continua com o injustificável recesso do meio do ano. Ninguém se atreve a propor alteração da folga.

TEMPO
Juízes, promotores e advogados ainda estudam a chamada “lei da impunidade”. É preciso tempo para avaliar as interpretações e aplicações práticas.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Os oportunistas

Texto do jornalista publicado na versão impressa da edição de 4 de julho de 2011

Alguém se lembra, não faz muito tempo, da avalanche de propostas de desarmamento no Congresso após um maluco - que é a exceção - cometer um massacre injustificável numa escola?

Aproveitando-se da comoção, legisladores e autoridades quiseram discutir algo já discutido, relançaram uma campanha cuja baixa adesão da população mostra seu equívoco e, nem três meses depois, as propostas já estão fora da pauta diária de quem as lançou.

Após a sequência de ataques cibernéticos a sites do governo e da invasão aos e-mails da presidente Dilma, ressurgem as propostas de tornar mais rigorosa a punição aos crimes virtuais e, apressadamente, um projeto sobre o tema pode ser votado já em agosto.

Ocorre que a proposta tramita desde 1999 e, neste tempo, milhares foram vítimas de ataques infames sem que nada fosse feito para reprimir os criminosos.

Agora, quando tocado pelo problema, parece que o governo levará a sério a questão. Ou passará agosto, os ataques aos sites oficiais e e as propostas sairão da pauta diária?

Quando há um evento de repercussão, os oportunistas tentam posar como autores das grandes ideias. Podem, infelizmente, ganhar adeptos, alguns votos, num primeiro momento, mas não passa de manobra para esconder a inércia com a qual lidaram com o assunto antes do fato.

Jogo de cena. Quando querem trabalhar efetivamente (traduzindo, quando é do interesse deles), não fazem questão de aparecer na mídia, o contrário do que fizeram após o massacre de Realengo e os ataques dos hackers.

A lei que promove alterações no Código de Processo Penal, que entra em vigor hoje, tramitou em silêncio no Congresso. Além de suprir as deficiências do Estado em resolver a questão penitenciária, a nova lei praticamente tira a chance de políticos criminosos irem para o xadrez - já era difícil antes, agora, quase impossível.

Outra mudança silenciosa em andamento: segundo o jornalista Lauro Jardim (Veja), o projeto que estende os efeitos da Lei Ficha Limpa para nomeação a cargos públicos recebeu parecer contrário da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), sob alegação de que o exercício de cargo público está relacionado à sobrevivência da pessoa e de sua família.

Se esse projeto for inconstitucional, é bem possível que todas as discussões sobre Ficha Limpa no serviço público de Limeira caiam por terra.

Como se vê, nenhum congressista aparece nessas horas para contestar, com unhas e dentes, esses projetos silenciosos.