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quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Sobre o estádio único

Artigo publicado na versão impressa da edição de 21 de janeiro de 2013:

A ventilação da ideia de propor um só estádio para que as duas equipes de futebol profissional da cidade, Internacional e Independente, se apresentassem reacendeu, na última semana, uma saudável discussão sobre razão e emoção a respeito do tema.

Como esperado, a máxima de que o futebol "é a coisa mais importante entre as menos importantes", empregada obviamente muito mais de emoção do que razão, prevaleceu e a ideia, por ora, foi rejeitada pelos clubes.

Não é fácil tomar decisões quando falamos de futebol. Na mesma semana, a Associação Uruguaia de Futebol decidiu suspender, por dez dias, todas as partidas de futebol do país devido a episódios de confrontos com a polícia, tiroteios entre torcidas e agressões.

A medida foi anunciada como o envio de sinais de que, em meio à paixão dos torcedores, há limites a serem respeitados. A decisão não levou em conta a emoção que os uruguaios sentem com o futebol, mas a razão imperiosa para aquele momento.

Neste ponto de vista, a da razão, há argumentos para a defesa do estádio único. Há tempos Inter e Galo não atraem mais multidões aos estádios, que também vivem, sai ano, entra ano, com o pesadelo das interdições.

Há que se considerar que os estádios não pertencem aos clubes, mas à Prefeitura de Limeira, a quem caberia decidir o que fazer com eles pensando no bem da coletividade. Uma nova arena, moderna, também serviria à cidade como palco de eventos, fomentando a economia.

Mas o futebol não teria a importância que tem no País se não fosse movido pela emoção do torcedor. É ele que sustenta a história de um time de futebol.

Grandes clubes do País e do mundo só atingiram esse status porque, ao longo de uma história, houve quem os acompanhasse, dos momentos mais tristes aos mais gloriosos. As sadias rivalidades, que fomentam esse mundo chamado futebol, só fazem sentido com a paixão do torcedor. Vem daí a resistência natural em deixar o seu estádio, onde há histórias e lembranças solidamente construídas.

Limeira comporta, sim, dois estádios, bem como um novo ginásio (necessidade premente, assim como a manutenção de quadras e centros comunitários).

O que faz sentido dos estádios serem mantidos, entretanto, são times competitivos, que atraiam seus torcedores, façam receita própria. Os clubes precisam buscar isso, bem como a Prefeitura ajudá-los.

Uma nova arena também pode não fazer sentido se os dois times permanecerem na atual situação, disputando uma divisão que não combina com suas gloriosas histórias.

O estádio único é uma boa ideia, mas não uma necessidade urgente. E há que se respeitar a opinião do torcedor. Porque os times vêm antes dos estádios. E eles, os times, só existem porque existem os torcedores.

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