Coluna do jornalista publicada na versão impressa da edição de 22 de agosto de 2012:
CONTRADIÇÕES
Apesar do depoimento de Messias tê-la favorecido, Nilce Segalla poderá enfrentar, ainda, problemas no relatório final da CPI, devido a possíveis contradições entre o depoimento que prestou aos vereadores e o que falou anteriormente sobre o recebimento do suposto dossiê.
SEGUNDA ACAREAÇÃO
A CPI do Messias não deve ficar apenas em uma acareação. Após participar do procedimento com Carlos Henrique Pinheiro, o Ricko, o protagonista da CPI está disposto a fazer o mesmo com Sérgio Sterzo, outro que, se for mesmo depor, deverá desqualificá-lo.
DEBATE OBRIGATÓRIO
Não vejo demonstração de desequilíbrio na falta de afinidade entre os ministros Joaquim Barbosa e Ricardo Lewandowski no julgamento do mensalão. O processo é extremamente complexo e, como está na última e única instância, o mais salutar é a exposição argumentativa, ainda que divergente, sobre todos os aspectos do caso. O momento tem de ser de debate mesmo.
SEGURANÇA REFORÇADA
No próximo dia 27 de setembro, o tráfego ao redor do Fórum terá problemas. A.T., o "Gibi", acusado de ter ordenado em Limeira os ataques do PCC em maio de 2006, que mataram um PM e feriu outro, será julgado nesta data, o que exigirá reforço de segurança e, consequentemente, impacto no trânsito da região.
COM O MP
Com o encaminhamento do relatório de sindicância, que apontou improbidade, ao MP e o recolhimento da multa aplicada ao prefeito cassado Silvio Félix, o TCE arquivou neste mês os autos do processo referente à contratação da Delta Construções, empresa do Caso Cachoeira, pela Prefeitura de Limeira. Agora, o caso fica exclusivamente sob análise da Promotoria.
BALANÇO
Conforme dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ocorreram, até o momento, oito renúncias de candidaturas a vereador em Limeira. Outros cinco tiveram registro indeferido.
quarta-feira, 7 de novembro de 2012
Constrangimento evitável
Artigo publicado na versão impressa da edição de 20 de agosto de 2012:
A atuação do vereador Almir Pedro dos Santos (sem partido) na CPI do Messias na última semana serve como reflexão neste momento em que mais de 200 mil eleitores terão a disposição mais de 300 candidatos para escolher e compor a próxima legislatura, que terá, ao contrário dos 14 atuais, 21 representantes da população na Câmara Municipal.
Ficou visível para todos os presentes que o vereador - a quem respeito, friso - não tem as mínimas condições para exercer o papel de integrar uma comissão investigativa, tarefa que pode ser delegada a qualquer membro do Legislativo.
Durante os três dias de oitivas, Almir não fez uma intervenção sequer para questionar os depoentes. Enquanto os depoimentos aconteciam, com frequência era visto olhando para o lado contrário, em direção ao vazio.
Em algumas votações de requerimentos, quando alguém propunha algo, o que exigia uma resposta "sim" ou "não", Almir respondia "presente", como se estivesse dando ciência de seu comparecimento a uma sessão legislativa e totalmente alheio ao que se passava.
Antes de responder aos requerimentos, Almir precisava da ajuda dos companheiros, especialmente a do verador Eliseu Daniel, que sentava ao seu lado, para entender o assunto que estava sendo tratado. Na única participação que teve, dizia ser contrário à condução coercitiva às testemunhas faltantes, mas, na sequência, inquirido a responder ao objeto de votação, votou a favor, em oposição ao que tinha acabado de dizer. Ninguém sabe se ele votou sabendo o que era.
Numa campanha eleitoral para o legislativo, as opções oferecidas ao leitores são variadas.
Quando Tiririca foi eleito deputado, houve muitas críticas quanto à ação do MP que questionava sua dificuldade de ler e escrever. Para muitos, havia preconceito contra a chegada de uma pessoa simples ao Congresso.
A democracia tem suas particularidades. Se uma Casa Legislativa tem, preferencialmente, que representar os diversificados segmentos da sociedade, Tiririca pode ser encarado como um representante, sim, de uma parcela da sociedade, mesmo com todas suas dificuldades.
O preço, evidente, se paga de uma outra forma. Não vemos qualquer projeto relevante apresentado por Tiririca, e ele está longe de ser um deputado influente. E é natural que tenha dificuldade de entender o funcionamento de muitas coisas. Da mesma forma, ser uma pessoa letrada pode não significar, necessariamente, um digno representante legislativo - fiquemos no exemplo de Demóstenes Torres.
Analisar as condições e a disposição de uma pessoa para atuar como vereador são dois pressupostos importantes para a escolha de um candidato.
Lembre-se: escolhemos um para que represente todos. Almir não estava na CPI para representar seus eleitores, mas todos os limeirenses. O eleitor tem o poder de evitar episódios constrangedores como vistos na última semana na Câmara.
A atuação do vereador Almir Pedro dos Santos (sem partido) na CPI do Messias na última semana serve como reflexão neste momento em que mais de 200 mil eleitores terão a disposição mais de 300 candidatos para escolher e compor a próxima legislatura, que terá, ao contrário dos 14 atuais, 21 representantes da população na Câmara Municipal.
Ficou visível para todos os presentes que o vereador - a quem respeito, friso - não tem as mínimas condições para exercer o papel de integrar uma comissão investigativa, tarefa que pode ser delegada a qualquer membro do Legislativo.
Durante os três dias de oitivas, Almir não fez uma intervenção sequer para questionar os depoentes. Enquanto os depoimentos aconteciam, com frequência era visto olhando para o lado contrário, em direção ao vazio.
Em algumas votações de requerimentos, quando alguém propunha algo, o que exigia uma resposta "sim" ou "não", Almir respondia "presente", como se estivesse dando ciência de seu comparecimento a uma sessão legislativa e totalmente alheio ao que se passava.
Antes de responder aos requerimentos, Almir precisava da ajuda dos companheiros, especialmente a do verador Eliseu Daniel, que sentava ao seu lado, para entender o assunto que estava sendo tratado. Na única participação que teve, dizia ser contrário à condução coercitiva às testemunhas faltantes, mas, na sequência, inquirido a responder ao objeto de votação, votou a favor, em oposição ao que tinha acabado de dizer. Ninguém sabe se ele votou sabendo o que era.
Numa campanha eleitoral para o legislativo, as opções oferecidas ao leitores são variadas.
Quando Tiririca foi eleito deputado, houve muitas críticas quanto à ação do MP que questionava sua dificuldade de ler e escrever. Para muitos, havia preconceito contra a chegada de uma pessoa simples ao Congresso.
A democracia tem suas particularidades. Se uma Casa Legislativa tem, preferencialmente, que representar os diversificados segmentos da sociedade, Tiririca pode ser encarado como um representante, sim, de uma parcela da sociedade, mesmo com todas suas dificuldades.
O preço, evidente, se paga de uma outra forma. Não vemos qualquer projeto relevante apresentado por Tiririca, e ele está longe de ser um deputado influente. E é natural que tenha dificuldade de entender o funcionamento de muitas coisas. Da mesma forma, ser uma pessoa letrada pode não significar, necessariamente, um digno representante legislativo - fiquemos no exemplo de Demóstenes Torres.
Analisar as condições e a disposição de uma pessoa para atuar como vereador são dois pressupostos importantes para a escolha de um candidato.
Lembre-se: escolhemos um para que represente todos. Almir não estava na CPI para representar seus eleitores, mas todos os limeirenses. O eleitor tem o poder de evitar episódios constrangedores como vistos na última semana na Câmara.
Coluna - 15 de agosto de 2012
Coluna do jornalista publicada na versão impressa da edição de 15 de agosto de 2012:
DESÂNIMO
Embora, tecnicamente, a dispersão das intenções de voto espontânea para vereador deixe todos em empate técnico, muitos candidatos se sentiram decepcionados por não aparecerem entre os 75 nomes lembrados.
IMPREVISÍVEL
Ninguém faz apostas sobre o depoimento de Messias hoje, na Câmara. Ele é imprevisível. Mas o que disser dará rumo aos demais depoimentos que serão tomados.
PREVISÍVEL
A precariedade da estrutura da Câmara de Cordeirópolis é anunciada há tempos. Fui na inauguração em dezembro de 2010 e, na ocasião, ao esbarrar num corrimão metálico, este veio a se desmontar em minhas mãos. Pelo jeito, as fragilidades não mudaram.
MUDANÇA DE FOCO
Com a municipalização da merenda, vereadores tentaram, nas oitivas da CPI sobre o assunto, algum ânimo a mais. Como o principal objeto foi alcançado antecipadamente, o foco do relatório final será mesmo a Le Barom e recomendações à Prefeitura.
FÓRUNS
Além da Faal, a Faculdade de Ciências Aplicadas (FCA/Unicamp) também deseja debater ideias com os prefeituráveis. Aos poucos, os segmentos da sociedade limeirense promovem eventos para ajudar o eleitorado a conhecer as propostas.
RELATOR OCUPADO
Pedido de Silvio Félix no Supremo Tribunal Federal (STF), para ter acesso total às investigações no MP, está parado desde 5 de junho, concluso, no gabinete do relator, ministro Joaquim Barbosa. Como sabido, Barbosa, assim como os colegas, está totalmente concentrado no julgamento do mensalão do PT, do qual também é o relator.
DESLIZE
Deputado Otoniel Lima (PRB-SP), ex-vereador em Limeira, passou sufoco ao ser questionado por uma repórter do humorístico CQC para soletrar a palavra "excesso". Vídeo foi exibido no programa de segunda-feira. As duas tentativas feitas pelo deputado arrancaram risos dos telespectadores.
DESÂNIMO
Embora, tecnicamente, a dispersão das intenções de voto espontânea para vereador deixe todos em empate técnico, muitos candidatos se sentiram decepcionados por não aparecerem entre os 75 nomes lembrados.
IMPREVISÍVEL
Ninguém faz apostas sobre o depoimento de Messias hoje, na Câmara. Ele é imprevisível. Mas o que disser dará rumo aos demais depoimentos que serão tomados.
PREVISÍVEL
A precariedade da estrutura da Câmara de Cordeirópolis é anunciada há tempos. Fui na inauguração em dezembro de 2010 e, na ocasião, ao esbarrar num corrimão metálico, este veio a se desmontar em minhas mãos. Pelo jeito, as fragilidades não mudaram.
MUDANÇA DE FOCO
Com a municipalização da merenda, vereadores tentaram, nas oitivas da CPI sobre o assunto, algum ânimo a mais. Como o principal objeto foi alcançado antecipadamente, o foco do relatório final será mesmo a Le Barom e recomendações à Prefeitura.
FÓRUNS
Além da Faal, a Faculdade de Ciências Aplicadas (FCA/Unicamp) também deseja debater ideias com os prefeituráveis. Aos poucos, os segmentos da sociedade limeirense promovem eventos para ajudar o eleitorado a conhecer as propostas.
RELATOR OCUPADO
Pedido de Silvio Félix no Supremo Tribunal Federal (STF), para ter acesso total às investigações no MP, está parado desde 5 de junho, concluso, no gabinete do relator, ministro Joaquim Barbosa. Como sabido, Barbosa, assim como os colegas, está totalmente concentrado no julgamento do mensalão do PT, do qual também é o relator.
DESLIZE
Deputado Otoniel Lima (PRB-SP), ex-vereador em Limeira, passou sufoco ao ser questionado por uma repórter do humorístico CQC para soletrar a palavra "excesso". Vídeo foi exibido no programa de segunda-feira. As duas tentativas feitas pelo deputado arrancaram risos dos telespectadores.
Incipientes no esporte
Artigo publicado na versão impressa da edição de 13 de agosto de 2012:
O período da Olimpíada é uma oportunidade rara em que os brasileiros se dão conta de muitas coisas que acontecem por estas bandas na área esportiva.
Arthur Zanetti, campeão olímpico nas argolas, não era o principal nome na delegação brasileira da ginástica, nem figurava como favorito para ganhar a medalha mais almejada. Já tinha um nome entre os que acompanham a modalidade, mas, para passar a "existir" para os brasileiros, foi preciso conquistar a medalha de ouro.
Sarah Menezes é um outro exemplo. A primeira medalha dourada que ela conquistou para o judô feminino, além da própria magnitude em si, expôs também uma fórmula na qual o Brasil ainda caminha.
Ela recebeu incentivos do Bolsa Atleta, um programa governamental que ajudou-lhe na projeção e, consequentemente, na obtenção de patrocínios privados. É o exemplo mais bem acabado daquilo que sempre cobramos: apoio do Poder Público como incentivador do esporte. Mas, para que tudo isso viesse à tona e ela passar a "existir" para os brasileiros, foi preciso conquistar a medalha de ouro.
Se Zanetti e Sarah tivessem sido eliminados durante as disputas, provavelmente jamais descobriríamos que o Brasil tem, sim, potencial nas argolas e que é possível colhermos frutos quando o Poder Público incentiva o esporte.
A forma como o brasileiro vê o esporte ainda tem como ponto de partida uma única modalidade: o futebol. Encerrada a disputa de Londres, a tendência é que só voltaremos a falar de argolas ou judô feminino em massa daqui a quatro anos, nos Jogos do Rio.
Enquanto esta cultura for mantida, continuaremos a desconhecer o potencial que o País tem nessas modalidades, que lutam anonimamente e com poucos recursos para obter resultados.
Assim, o Brasil, uma nação incipiente em entender o esporte na forma macro, que colhe resultados de forma isolada e pouco sistemática, está há quatro anos de um dos maiores desafios em termos de organização, que é receber uma Olimpíada.
E nessa esfera, também somos incipientes: um novo velódromo será construído no valor de R$ 115 milhões, para substituir um outro que foi erguido no Pan de 2007. Naquela época, falava-se de um legado que, como vemos agora, não aconteceu e exige-se mais dinheiro para o legado olímpico.
Legado? Mas quantos de nós saberia dizer hoje nomes brasileiros nessa esfera esportiva que usa o velódromo, assim como os de Zanetti e Sarah antes de suas conquistas? Somente sediar competições internacionais não mudará a forma como vemos o esporte.
O período da Olimpíada é uma oportunidade rara em que os brasileiros se dão conta de muitas coisas que acontecem por estas bandas na área esportiva.
Arthur Zanetti, campeão olímpico nas argolas, não era o principal nome na delegação brasileira da ginástica, nem figurava como favorito para ganhar a medalha mais almejada. Já tinha um nome entre os que acompanham a modalidade, mas, para passar a "existir" para os brasileiros, foi preciso conquistar a medalha de ouro.
Sarah Menezes é um outro exemplo. A primeira medalha dourada que ela conquistou para o judô feminino, além da própria magnitude em si, expôs também uma fórmula na qual o Brasil ainda caminha.
Ela recebeu incentivos do Bolsa Atleta, um programa governamental que ajudou-lhe na projeção e, consequentemente, na obtenção de patrocínios privados. É o exemplo mais bem acabado daquilo que sempre cobramos: apoio do Poder Público como incentivador do esporte. Mas, para que tudo isso viesse à tona e ela passar a "existir" para os brasileiros, foi preciso conquistar a medalha de ouro.
Se Zanetti e Sarah tivessem sido eliminados durante as disputas, provavelmente jamais descobriríamos que o Brasil tem, sim, potencial nas argolas e que é possível colhermos frutos quando o Poder Público incentiva o esporte.
A forma como o brasileiro vê o esporte ainda tem como ponto de partida uma única modalidade: o futebol. Encerrada a disputa de Londres, a tendência é que só voltaremos a falar de argolas ou judô feminino em massa daqui a quatro anos, nos Jogos do Rio.
Enquanto esta cultura for mantida, continuaremos a desconhecer o potencial que o País tem nessas modalidades, que lutam anonimamente e com poucos recursos para obter resultados.
Assim, o Brasil, uma nação incipiente em entender o esporte na forma macro, que colhe resultados de forma isolada e pouco sistemática, está há quatro anos de um dos maiores desafios em termos de organização, que é receber uma Olimpíada.
E nessa esfera, também somos incipientes: um novo velódromo será construído no valor de R$ 115 milhões, para substituir um outro que foi erguido no Pan de 2007. Naquela época, falava-se de um legado que, como vemos agora, não aconteceu e exige-se mais dinheiro para o legado olímpico.
Legado? Mas quantos de nós saberia dizer hoje nomes brasileiros nessa esfera esportiva que usa o velódromo, assim como os de Zanetti e Sarah antes de suas conquistas? Somente sediar competições internacionais não mudará a forma como vemos o esporte.
Coluna - 8 de agosto de 2012
Coluna do jornalista publicada na versão impressa da edição de 8 de agosto de 2012:
SEMELHANÇA
Cenário de intenções de votos em branco e nulos em Campinas é semelhante ao de Limeira. Pesquisa Ibope, encomendada pela Rede Globo, feita em julho, mostra que o índice lá chega a 21%. Aqui, está em 23%. Em comum, o fato de as duas cidades terem seus prefeitos cassados.
DESCONTENTES
A permanecer este cenário até o segundo turno, quem chegar à frente será eleito já tendo de lidar com uma parcela expressiva de limeirenses insatisfeita. Mas há tempo - e necessidade - para os candidatos trabalharem as mensagens a este público.
IMEDIATO
Resultados da pesquisa devem influir nas estratégias das campanhas antes mesmo do início da propaganda eleitoral no rádio e na TV.
TELEMARKETING
Quintal informou, em sua primeira prestação parcial de contas à Justiça Eleitoral, que gastou R$ 2 mil em publicidade por telemarketing - aquelas ligações recebidas por muita gente via celular e que renderam reclamações.
MUNDO GIRA
Coisas da política. O mesmo PDT que expulsou Carlinhos Silva de seus quadros foi fundamental para a chegada dele à presidência da Câmara Municipal.
PUNIÇÃO MANTIDA
Fundação Casa rejeitou o recurso administrativo apresentado pela MVG Engenharia e manteve a multa de R$ 871.264,92 e a suspensão temporária de participação em licitações, por ter falhado na execução das unidades de Limeira.
DEMORA
A falta de médico legista no Instituto Médico Legal (IML) de Limeira voltou a render reclamação. O corpo do jovem Alison William da Silva, que morreu no início da noite do dia 2, só foi liberado para o velório por volta das 11h do dia seguinte, segundo o relato de uma funcionária da empresa onde o rapaz atuava.
SEMELHANÇA
Cenário de intenções de votos em branco e nulos em Campinas é semelhante ao de Limeira. Pesquisa Ibope, encomendada pela Rede Globo, feita em julho, mostra que o índice lá chega a 21%. Aqui, está em 23%. Em comum, o fato de as duas cidades terem seus prefeitos cassados.
DESCONTENTES
A permanecer este cenário até o segundo turno, quem chegar à frente será eleito já tendo de lidar com uma parcela expressiva de limeirenses insatisfeita. Mas há tempo - e necessidade - para os candidatos trabalharem as mensagens a este público.
IMEDIATO
Resultados da pesquisa devem influir nas estratégias das campanhas antes mesmo do início da propaganda eleitoral no rádio e na TV.
TELEMARKETING
Quintal informou, em sua primeira prestação parcial de contas à Justiça Eleitoral, que gastou R$ 2 mil em publicidade por telemarketing - aquelas ligações recebidas por muita gente via celular e que renderam reclamações.
MUNDO GIRA
Coisas da política. O mesmo PDT que expulsou Carlinhos Silva de seus quadros foi fundamental para a chegada dele à presidência da Câmara Municipal.
PUNIÇÃO MANTIDA
Fundação Casa rejeitou o recurso administrativo apresentado pela MVG Engenharia e manteve a multa de R$ 871.264,92 e a suspensão temporária de participação em licitações, por ter falhado na execução das unidades de Limeira.
DEMORA
A falta de médico legista no Instituto Médico Legal (IML) de Limeira voltou a render reclamação. O corpo do jovem Alison William da Silva, que morreu no início da noite do dia 2, só foi liberado para o velório por volta das 11h do dia seguinte, segundo o relato de uma funcionária da empresa onde o rapaz atuava.
Os desafios
Coluna do jornalista publicada na versão impressa da edição de 6 de agosto de 2012:
A primeira pesquisa de intenções de votos registrada em Limeira, feita pela Gazeta/Limite, cujos primeiros resultados foram divulgados ontem, traz, em seus detalhes, aspectos que sinalizam caminhos que podem ser tomados pelos candidatos a partir deste mês, quando as campanhas e os debates serão intensificados.
Quintal foi quem melhor aproveitou o morno início de campanha. Além de avançar nas intenções de voto, reduziu seu nível de rejeição, dois cenários que não poderiam ser melhores.
Eliseu, aparentemente, não sofreu a queda que muitos esperavam e empata tecnicamente com Quintal.
Hadich manteve bons desempenhos nas faixas onde já ia bem, mas não avançou nos redutos onde os líderes dominam.
Já Kléber, além de uma campanha inicial tímida e com rebeliões internas a domar, viu sua rejeição aumentar e empata tecnicamente com Hadich.
Assim, consolidam-se dois blocos antes da campanha começar para valer. O segundo turno é, ainda, a perspectiva mais real. Os que hoje aparecem à frente precisariam de mais de dez pontos percentuais de votos válidos para tentar levar no primeiro turno, o que parece altamente improvável.
Quintal deve começar o período mais quente de campanha tentando avançar sobre o eleitorado de Eliseu, até pensando num provável segundo turno. Já Eliseu tentará reduzir sua rejeição na faixa mais escolarizada.
Para tentar chegar ao primeiro bloco, Hadich deve apostar na campanha de TV, onde terá o maior tempo de exposição. Mas precisará acelerar a militância nas regiões mais periféricas e populosas da cidade, redutos dos líderes, e se concentrar em quem hoje vota em branco/nulo, cujo perfil se assemelha em muito ao eleitorado que já cativou. Tem a seu favor o menor índice de rejeição entre todos os candidatos.
Kléber viu sua preferência de votos diminuir nas áreas nas quais Quintal e Eliseu dominam. Além de se atentar a essa característica, terá de convencer o eleitorado escolarizado, o que mais lhe rejeita, e acalmar as divisões internas.
Além dos desafios individuais, um outro se impõe, e para todos os candidatos. As intenções de votos brancos ou nulos, em 22%, são altas e, como veremos nas divulgações seguintes, permanecem nos cenários de segundo turno.
Os números indicam que uma parcela expressiva do eleitorado, passados cinco meses do término da crise política que viveu a cidade, ainda se sente desmotivada com os candidatos. Convencê-los a dar um voto válido é um caminho que pode ser decisivo, especialmente se houver o segundo turno.
A primeira pesquisa de intenções de votos registrada em Limeira, feita pela Gazeta/Limite, cujos primeiros resultados foram divulgados ontem, traz, em seus detalhes, aspectos que sinalizam caminhos que podem ser tomados pelos candidatos a partir deste mês, quando as campanhas e os debates serão intensificados.
Quintal foi quem melhor aproveitou o morno início de campanha. Além de avançar nas intenções de voto, reduziu seu nível de rejeição, dois cenários que não poderiam ser melhores.
Eliseu, aparentemente, não sofreu a queda que muitos esperavam e empata tecnicamente com Quintal.
Hadich manteve bons desempenhos nas faixas onde já ia bem, mas não avançou nos redutos onde os líderes dominam.
Já Kléber, além de uma campanha inicial tímida e com rebeliões internas a domar, viu sua rejeição aumentar e empata tecnicamente com Hadich.
Assim, consolidam-se dois blocos antes da campanha começar para valer. O segundo turno é, ainda, a perspectiva mais real. Os que hoje aparecem à frente precisariam de mais de dez pontos percentuais de votos válidos para tentar levar no primeiro turno, o que parece altamente improvável.
Quintal deve começar o período mais quente de campanha tentando avançar sobre o eleitorado de Eliseu, até pensando num provável segundo turno. Já Eliseu tentará reduzir sua rejeição na faixa mais escolarizada.
Para tentar chegar ao primeiro bloco, Hadich deve apostar na campanha de TV, onde terá o maior tempo de exposição. Mas precisará acelerar a militância nas regiões mais periféricas e populosas da cidade, redutos dos líderes, e se concentrar em quem hoje vota em branco/nulo, cujo perfil se assemelha em muito ao eleitorado que já cativou. Tem a seu favor o menor índice de rejeição entre todos os candidatos.
Kléber viu sua preferência de votos diminuir nas áreas nas quais Quintal e Eliseu dominam. Além de se atentar a essa característica, terá de convencer o eleitorado escolarizado, o que mais lhe rejeita, e acalmar as divisões internas.
Além dos desafios individuais, um outro se impõe, e para todos os candidatos. As intenções de votos brancos ou nulos, em 22%, são altas e, como veremos nas divulgações seguintes, permanecem nos cenários de segundo turno.
Os números indicam que uma parcela expressiva do eleitorado, passados cinco meses do término da crise política que viveu a cidade, ainda se sente desmotivada com os candidatos. Convencê-los a dar um voto válido é um caminho que pode ser decisivo, especialmente se houver o segundo turno.
O julgamento
Artigo publicado na versão impressa da edição de 30 de julho de 2012:
Pelos próximos quarenta dias, no mínimo, afora as corridas eleitorais, não haverá outro assunto em âmbito nacional a ser explorado senão o julgamento do mensalão do PT, cujos efeitos têm poder de influenciar algumas das disputas municipais de outubro.
O maior problema do "julgamento do século" que se inicia nesta semana, como alguns já o chamam, é justamente a tentativa de tornar este processo como o "do século".
Parte desse mesmo espectro duas avaliações às quais entendo como precipitadas.
A primeira é a tese de que, ao julgar o mensalão, o Supremo Tribunal Federal (STF) estará julgando o governo Lula. A administração do metalúrgico já se encerrou há quase dois anos e ainda precisará de tempo para que seja analisada devidamente dentro do contexto histórico. Por ora, há que se registrar que Lula terminou seu governo com uma aprovação recorde, o que é uma forma de julgamento pelo povo. Assim, não me parece que o governo Lula estará no banco dos réus nos próximos 40 dias.
Da mesma forma, é precipitada a tese, lançada na última semana pela corregedora nacional de Justiça, Eliana Calmon, de que o STF será julgado pela opinião pública durante o julgamento do mensalão, o que foi compreensivelmente entendido e rebatido como uma pressão aos ministros - a juíza disse isto afirmando que não conhece o processo do mensalão senão pelos jornais. Para isto, fico com a declaração do ministro Marco Aurélio Mello: "O que se espera, de fato, é que o julgamento fique exclusivamente restrito ao que os autos contêm. Manifestações desse tipo criam toda uma excitação".
O mensalão veio à tona há sete anos, e o Supremo se debruça sobre o processo há pelo menos cinco, quando a denúncia formulada pela Procuradoria-Geral da República foi aceita.
Houve tempo - até em excesso - para que todas as teses, acusatórias e de defesa, provas e memoriais, fossem analisadas.
Como em qualquer outro processo que passa por um julgamento, ao final haverá um que vence e outro que perde, mas, acima de tudo, uma decisão a ser respeitada e devidamente cumprida.
Como em qualquer decisão, haverá quem discorde, o que é absolutamente legítimo.
O mínimo que se espera é um julgamento técnico, e que a politização fique restrita, apenas, a quem faz política, e não justiça.
Pelos próximos quarenta dias, no mínimo, afora as corridas eleitorais, não haverá outro assunto em âmbito nacional a ser explorado senão o julgamento do mensalão do PT, cujos efeitos têm poder de influenciar algumas das disputas municipais de outubro.
O maior problema do "julgamento do século" que se inicia nesta semana, como alguns já o chamam, é justamente a tentativa de tornar este processo como o "do século".
Parte desse mesmo espectro duas avaliações às quais entendo como precipitadas.
A primeira é a tese de que, ao julgar o mensalão, o Supremo Tribunal Federal (STF) estará julgando o governo Lula. A administração do metalúrgico já se encerrou há quase dois anos e ainda precisará de tempo para que seja analisada devidamente dentro do contexto histórico. Por ora, há que se registrar que Lula terminou seu governo com uma aprovação recorde, o que é uma forma de julgamento pelo povo. Assim, não me parece que o governo Lula estará no banco dos réus nos próximos 40 dias.
Da mesma forma, é precipitada a tese, lançada na última semana pela corregedora nacional de Justiça, Eliana Calmon, de que o STF será julgado pela opinião pública durante o julgamento do mensalão, o que foi compreensivelmente entendido e rebatido como uma pressão aos ministros - a juíza disse isto afirmando que não conhece o processo do mensalão senão pelos jornais. Para isto, fico com a declaração do ministro Marco Aurélio Mello: "O que se espera, de fato, é que o julgamento fique exclusivamente restrito ao que os autos contêm. Manifestações desse tipo criam toda uma excitação".
O mensalão veio à tona há sete anos, e o Supremo se debruça sobre o processo há pelo menos cinco, quando a denúncia formulada pela Procuradoria-Geral da República foi aceita.
Houve tempo - até em excesso - para que todas as teses, acusatórias e de defesa, provas e memoriais, fossem analisadas.
Como em qualquer outro processo que passa por um julgamento, ao final haverá um que vence e outro que perde, mas, acima de tudo, uma decisão a ser respeitada e devidamente cumprida.
Como em qualquer decisão, haverá quem discorde, o que é absolutamente legítimo.
O mínimo que se espera é um julgamento técnico, e que a politização fique restrita, apenas, a quem faz política, e não justiça.
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